Matutano nos Isteitis

Poizé, o povo insistiu e eu aderi à idéia do blog :) Aqui vai ser o espaço pra contar como vai a vida nos EUA. E haja matutage!!!!

Friday, March 19, 2010

Ola pessoal! Um post sobre o spring break pra vcs! Como ja virou tradicao, estamos na nossa viagem pelo TN e pelo sul de IN. mas dessa vez comecamos por KY. Passamos uma noite em Louisville. Viajamos por boa parte do dia, paramos em umas lojas pra procurar presentes/lembracas pra levar pro Brasil, trabalhmos um pouco e jantamos no nosso restaurante favorito de la, Havana Rumba, um restaurante cubano que tem uma macaxeira magniiiiiiiiiifica!!! Nesse dia encontramos um novo restaurante baratinho de comida indiana. Muito bom!

De la seguimos pra Nashville, TN. Paramos, como de costume, na fazenda em Bowling Green pra tomar o melhor sorvete que eu ja tomei na vida! E continuamos a viagem. Em Nashvillle, fomos a Opry Mills, um shopping gigantesco, pra tomar a otima apple cider do Apple Barn e pra look around. Temrinamos o dia trabalhando em Barnes & Noble, uma das grandes livrarias daqui. Agora, foi no dia seguinte que tivemos uma experiencia diferentes. Essa eu quero contar em detalhes pra voces.

Pois bem. Desde que fiz as aulas da Odirene na UFC sobre literatura e historia e cultura americanas, que tinha vontade de visitar uma das grandes plantations/fazendas do sul dos EUA. Eu via filmes como Uncle Tom's Cabin, lia livros como Desire under the Elms, A streetcar named Desire e ficava imaginando a vida nessas epocas, nesses lugares. Nessa visita eu finalmente tive a oportunidade de visitar uma plantation em Franklin, no TN, onde se travou uma das batalhas mais sangrentas da Guerra Civil americana. A gente chegou mais ou menos uma hora antes do ultimo tour da casa, entao aproveitamos pra explorar os arredores da fazenda.

a fazenda eh, claro, enorme. tem dois cemiterios: o cemiterio da familia e o cemiterio dos soldados que morreram na batalha. tem tambem um jardim, que nao tava tao bonito assim, pq ta td ainda muito seco, ja que o inverno mal acabou. no verao, com tudo verde, deve ser muito bonito. Alem disso, tinha a casa dos escravos, que eh bem diferente das nossas antigas senzalas. era uma casa de cois andares, com quatro quartos, os quais imagino que fossem dividos entre todos os escravos da familia. tem tambem uma smoke house - casa de defumar? nao me lembro como se diz isso em portugues - e uma spring house, que eh uma coisa super engenhosa e simples. basicamente eh uma casa construido sobre um pequeno lago, onde se mantinham alimentos durante o inverno pra conservar. basicamente, serve como uma super geladeira natural :)

bom, no mais, vamos a casa, que eh a parte mais interessante do tour, principalmente pelas historias que ouvimos. a casa, needless to say, belissima. pertenceu a familia Mcgovick, uma familia muito abastada de Louisiana que se mudou pro Tennessee, onde viveram por muitas decadas.

uma das batalhas mais sangrentas da guerra de sessessao - eh assim q se escreve? preguica de checar dicionario online... - americana aconteceu la e nem foi planejado. a guia, que era a caaaaaaaaara da Diana Fortier, minha sis que eu nao vejo ha tanto tempo, explicou que a tropa planejava simplesmente passar a noite la antes de atacar num lugar onde hj eh uma cidade vizinha, a qual nao lembro o nome. mas acabaram sendo pegos de surpresa e tiveram que lutar la mesmo, a noite. pelo chao da casa tem muitas manchas de sangue, resultado nao so de soldados feridos, mas de cirurgias que tiveram que ser feitas ali mesmo, em quartos que a familia concedeu. eh arrepiante ver essas manchas no chao, ainda mais qnd comecava a escurecer na hora que a gente entrou na casa pra fazer o tour.

no dia seguinte da batalha, havia dezenas de mortos, que tinham que ser enterrados. entao a familia, com a ajuda dos escravos, enterrou varios dos corpos, que tiveram que ser espalhados por toda a propriedade. catalogaram os soldados da melhor forma possivel e guardaram objetos que eles carregavam, os quais a senhora mesma se encarregou de tentar devolver as familias. mais tarde, eles criaram o cemiterio que a gente visitou, que fica na propriedade. desenterraram os corpos e catalogaram tudo de novo, organizando as tumbas por estado. ainda hoje pessoas vao la a procura de parentes.

bom, e esse foi o tour que fizemos. arrepiante, impressionante e emocionante. a melhor parte de tudo foi o relogio da sala. no meio do tour. paramos na sala principal da casa e a guia pediu pra gente fazer silencio e prestar atencao em um som. foi qnd nos demos conta de um relogio e ela disse que o relogio era o mesmo da familia, que nunca se desrgulou e ainda hoje funciona. dai ela disse uma coisa que eu nunca tinha parado pra pensar e q nunca vou esquecer: nos vemos coisas que presenciaram historias há seculos, milenios, mas raramente OUVIMOS o passado exatamente como as pessoas o ouviram. eh o pedaco de historia mais vivo que eu ja encontrei, porque nao eh uma gravacao, eh sim o proprio som, "vivo" tal qual se ouvia naquela epoca.

muito legal! valeu a pena MESMO! e o tour foi feito com muito respeito, sem defender lados da guerra, que foi realmente bastante complicada em termos raciais. em vez disso, eles se focaram na historia de uma familia que, independemente da posicao politica, lutou pra salvar vidas de pessoas e preservar a memoria daquelas que eles nao conseguiram salvar.

bjs a todos!

2 Comments:

Blogger Sir Krebs said...

This comment has been removed by the author.

5:10 AM  
Blogger Sir Krebs said...

É interessante viver isso demais, Ligita. Você mal percebe, mas tanta coisa aconteceu com o que está ao seu redor. Por aqui é estranho, porque parece mentira que 70 por cento de Munique foi destruida com a guerra, porque a cidade é simplesmente belíssima. Mas pensar que foi aqui que Hitler destruiu um pedaço do mundo é arrepiante. Tem uma cidadezinha à 10 minutos de Munique chamada Dachau. Lá was settled um dos maiores campos de concentração do período Nazista, e hoje as pessoas parecem ter superado isso. Eles falam como se fosse um pedaço da história que eles infelizmente não puderam fazer parte, tentar lutar contra. Mas enfim, é estranho, it give me the chills.

Queria mesmo poder ouvir esse relógio. Isso sim seria beyond weird, but at the same time fascinating. =)

5:12 AM  

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